A promoção da Saúde não é só tarefa do Ministério da Saúde ou da OMS é de toda a sociedade

10-02-2011 14:41

A promoção da Saúde não é só tarefa do Ministério da Saúde ou da OMS é de toda a sociedade

- defende o Representante da OMS em entrevista ao FJPS

 

"A OMS, é o chefe de fila ao nível dos diferentes países para os apoiar a implementar os diferentes domínios da saúde, com vista a melhorar a saúde da população" começou por afirmar o Representante Residente da OMS (ROMS) em Bissau.

Dr. Allan Que falava num entrevista concedida no quadro das actividades do Fórum Jornalistas Promotores da Saúde (FJPS), falou de aspectos ligados a sua organização, referiu também os entraves que enfrentam devido a própria atribuições, os principais eixos da sua intervenção, a importância da criação de parcerias com outras instituições, tais como jornalistas, professores e alunos, e ainda a necessidade de envolvimento de toda a sociedade na defesa da saúde, como sendo um bem de todos.  

 

FJPS - Primeiramente gostaria de saber, quais são as principais actividades que a Representação da OMS realizam no país?

 

ROMS: Obrigada minha senhora. Como sabe no domínio da Saúde a Organização Mundial da Saúde é uma das Agências do Sistema das Nações Unidas que é o chefe de fila ao nível dos diferentes países para os apoiar a implementar os diferentes domínios da saúde, com vista a melhorar a saúde da população. É neste quadro que a OMS tem a sua Representação aqui no país há já vários anos e em conjunto com os homólogos do Ministério da Saúde realizam diversas actividades. Para além disso, a OMS trabalha também com outros departamentos e parceiros da saúde.

Em relação ao conjunto das intervenções, existe um género de contrato entre a OMS e o país. Esse contrato está consignado no documento intitulado Estratégia de Cooperação entre a OMS e o país. Esta Estratégia de Cooperação caracteriza os diferentes aspectos da cooperação e desafios em matéria de saúde entre a OMS e o país.

Dos diferentes aspectos abordados pelo documento, existe o desafio em matéria de desenvolvimento da saúde.

O segundo aspecto é o apoio ao governo no domínio da parceria em matéria de saúde. Existe também as orientações mundiais por que de facto tudo que fazemos em apoio ao governo são orientações da Assembleia Mundial da Saúde, do Comité Regional da OMS para África, e evidentemente o seguimento e a avaliação de tudo o que está sendo implementado no domínio da saúde.

Em relação a estas grandes linhas que acabo de frisar, que estão contidos no documento de estratégia de cooperação entre a OMS e a Guiné-Bissau, a Representação da OMS no país, apoia principalmente três eixos a saber:

 

O primeiro eixo ou pilar, é o apoio ao sistema de saúde, este pilar compreende as infra-estruturas, a parceria que existe por exemplo com o BAD que permitiu reabilitar certas infra-estruturas; existe o fornecimento dos equipamentos da OMS a nível das estruturas sanitárias; existe o fornecimento de medicamentos para o funcionamento dos hospitais e Centros de Saúde e existe também o funcionamento do sistema como tal ou seja a operacionalização do sistema de saúde, que consiste em dar confiança aos utentes, como por exemplo o atendimento adequado dos doentes quando chegam aos Centros de Saúde; se o seu estado clínico merece cuidados especiais, o paciente deve ser enviado a um hospital de referência e isso implica que se faça o historial clínico.

O hospital por sua vez deve fazer uma contra referência ao Centro de Saúde para que se saiba como o paciente foi tratado no hospital. Para tudo isso é necessário também assegurar a harmonização da gestão do sistema de saúde. Portanto a OMS procura também reforçar a gestão das regiões sanitárias para lhes permitir desempenhar eficazmente o seu papel.

O segundo pilar, é o desenvolvimento dos recursos humanos. Como se sabe o sistema de saúde não pode funcionar normalmente sem os recursos humanos disponíveis. E quando dizemos disponível estamos a referir em quantidade e qualidade e um dos pontos visados pela OMS é sobretudo o reforço dos recursos humanos e nós procuramos apoiar o governo no domínio da formação tanto a nível do país como no estrangeiro. Estas formações podem ser tanto iniciais como em relação aos técnicos já formados e que estão a trabalhar para poder melhorar as suas performances. Estas formações são feitas no quadro do Plano de Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Humanos que é o quadro estratégico do governo em matéria de saúde. Estas formações se processam em colaboração com o Ministério da Saúde e outros parceiros.

O terceiro pilar, é a luta contra as doenças e este é um dos pilares que as pessoas pensam que seja apenas da OMS, quando na verdade o papel da OMS é muito mais que isso. Pois neste pilar existe a vigilância das doenças e os encargos com os pacientes. As Doenças Transmissíveis como a Cólera, o VIH/SIDA, a Tuberculose e as Doenças Não Transmissíveis como a Hipertensão, a Diabete, a Malnutrição, entre outros. No quadro da luta contra as doenças, existe uma componente muito importante que é a vacinação contra as doenças evitáveis.

Esta actividade é muito importante porque nos permite proteger e evitar certas doenças em vez de deixar morrer as nossas crianças por doenças que podem ser evitadas.

 

FJPS - Certamente que se registam dificuldades em certas áreas da vossa intervenção. Podia enumerar-nos algumas dessas dificuldades e o que propõem fazer para as ultrapassar?

 

ROMS: As dificuldades existem e existirão, sempre. É bom que se diga que a OMS é uma Agência Técnica. É verdade que existem muitos desafios no domínio da Saúde, mas a OMS enquanto Agência Técnica, não tem meios financeiros suficientes para apoiar o governo a fazer face a todos esses desafios e isso é uma das maiores dificuldades com que nos deparamos. Temos a capacidade de dar conselhos técnicos e as orientações, mas infelizmente não temos a capacidade de apoiar financeiramente constantemente. É o que fazemos, de vez em quando, sobretudo quando temos disponibilidade. Mas a verdade é que não dispomos de meios financeiros suficientes e isso é a primeira dificuldade.

Esta questão é agravada ainda mais, com a situação económica mundial em crise e a consequência dessa crise é sentida não só pelos países em desenvolvimento como também reflecte nas organizações internacionais de cooperação.

Uma outra dificuldade com que nos deparamos é a lentidão na implementação das actividades. Pois como se sabe, não somos nós quem executa as actividades, e nesse aspecto existe muita lentidão. Para mim, isso é uma das dificuldades porque quando prevemos realizar uma actividade dentro de seis meses e que leva um ano a ser feito, isso de facto cria constrangimentos não somente em relação a nós mesmos, mas em relação também aos nossos parceiros com os quais temos responsabilidades. 

 

FJPS – Última questão. O que é que a OMS pretende com as parcerias “Jornalistas Promotoras de Saúde e Escolas Promotoras de Saúde”?

 

ROMS: Acho pertinente esta pergunta. Quando falamos da saúde as pessoas têm a impressão que é uma responsabilidade apenas da OMS ou do Ministério da Saúde, o que não é verdade. Penso que devemos pôr um acento particular nesta questão. Não é apenas o Ministério da Saúde que pode tratar e resolver os problemas da saúde da população num determinado país. Isso é uma questão que diz respeito a toda a gente.

Há algumas semanas, com o apoio de um Consultor recrutado pela OMS, trabalhamos sobre os Determinantes Socioeconómicos da Saúde e a Guiné-Bissau é o primeiro país na região africana a fazer esse trabalho. Existe um inquérito feito no terreno e uma Comissão para o efeito foi criada e ela trabalhou sobre o documento. Portanto existem muitos determinantes sobre os quais a Saúde sozinha ainda não consegue fazer face.

Vou tentar muito rapidamente dar-lhe alguns elementos relacionados com esses determinantes. Como sabe, a saúde das pessoas é influenciada por variadíssimas coisas. Por exemplo o nível social do indivíduo; a educação da pessoa (será que a pessoa é educada, sabe ler) isso é muito importante para a saúde de uma pessoa.

Existem outros elementos como o emprego que nos da de comer; será que gostamos do trabalho que fazemos; existe o ambiente físico pois o lugar onde vivemos também influencia a nossa vida e a nossa saúde porque uma pessoa que vive num ambiente de insalubridade se estiver doente e o levarmos para o hospital depois de tratado voltar novamente para esse mesmo ambiente será que essa pessoa terá muita chance de viver?

Você sabe que em África e na maioria dos nossos países existe a chamada Excisão. Isso é devido a uma cultura que passou de geração em geração. Hoje sabemos que essa cultura não é boa para a saúde porque quando uma mulher é excisada, isso pode ter repercussões nefastas na altura do parto.

Ainda no âmbito da cultura, em várias zonas dos nossos países, damos mais preferência aos rapazes para irem à escola em relação às raparigas. Mas hoje em dia, é sabido que uma mulher instruída se ocupa melhor da sua saúde do seu filho e do seu marido, em suma da sua família, para melhor precisar.

Quero referir agora a situação das crianças. Uma coisa é certa, quando nasce, depende de como nasceu e das condições em que nasceu. Uma criança que nasceu na tabanca, sem as mínimas condições de parto, e aquela que nasceu no Hospital "Simão Mendes" não possuem a mesma chance de sobrevivência nas suas existências.

Outro exemplo é em relação a uma criança que nasceu na cidade dorme debaixo de um mosquiteiro impregnado, tem condições de higiene aceitáveis tem mais chance de sobrevivência em relação a uma criança que nasceu na tabanca e não possui nenhuma dessas condições. Estas situações também condicionam a vida do homem.

Fiz esta introdução para poder responder à sua pergunta. Portanto se tivermos em conta tudo o que acabei de dizer, penso que não é o médico, o enfermeiro ou um outro técnico de saúde quem vai mudar esta situação. Nós pensamos que o papel dos jornalistas e dos agentes de comunicação e dos médias é muito importante pois, se quisermos realmente fazer a Promoção da Saúde é necessário que os médias estejam presentes junto com os outros parceiros para poder contribuir para o avanço de tudo isto. Enquanto as médias não tiverem essa consciência e assumam seriamente o seu papel nada feito.

De igual modo em relação as escolas, pois existe um certo número de coisas se que passam no seio das crianças. Por exemplo, quando uma criança aprende qualquer coisa na escola ao chegar a casa, toda a família acaba sabendo. Portanto nós pensamos que esta é uma das vias para fazer a Promoção da Saúde e agir sobre os diferentes Determinantes da Saúde. Enquanto não agirmos correctamente sobre os Determinantes, não vamos conseguir melhorar a nossa saúde.

Se olharmos para os Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento vamos ver que todos eles contribuem para o bem-estar do Homem. Mas penso que para o alcance dos mesmos, não é apenas o Ministério da Saúde ou o Ministério do Plano que devem fazer a promoção desses objectivos seja em relação à saúde materno-infantil, a redução da pobreza, ao género etc. em consequência, penso que os médias, o sistema educativo e todos os parceiros devem implicar-se para que realmente possamos atingir os objectivos preconizados.

 

Nautaram Marcos Có

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